quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Baú

O que é socializar
Senão confronto de opiniões?
O que é debater
Senão tomadas de posições?
O que é comunicar
Senão troca de experiências?
No fundo, o que é viver
senão ter um leque de preferências?


Senão for isso
O que será?
Algum desígnio a nós omisso?
Quem o escreverá?


A vida é tudo menos categórica,
É um baú de retórica.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Surpreso

Ainda inconstante
Continuo seguindo
Ainda oscilante
Mas à vida sorrindo.

Confuso vou a caminhar
Num rumo ao meu distinto,
Ainda sem ter um lugar
Onde confortável me sinto.

Mas a vocês agradeço.
Àqueles que gostam e valorizam
Um abraço de apreço.
São vocês que me motivam.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Vivendo

Se há algo que este mundo seja
É algo que recuso ser:
Alguém que à sua frente mais não veja
Que a necessidade de muito ter.


Procuram a felicidade no património,
Os senhores e donos da ganância.
São massas envoltas em ignorância
Desconhecendo o perigo desse demónio.



Focados numa monetária realidade
Procuram bastante mais que integridade,
Procuram luxo, posses e riqueza,
Analgésicos para a sua tristeza.


Por mim, contento-me com o que tenho
E dou de mim tudo aquilo que consigo.
Procurar partilhar do que detenho
É uma das condutas que sigo.


E desse modo algo também obtenho,
Acabo por dar e receber
E não rejeito nem desdenho.
É em conjunto que se sobrevive
E se está sempre a aprender,
E assim, como individuo, se vive.


É assim que o meu caminho prossigo,
Os meus objectivos persigo,
E Tento sempre aplicar todo o meu empenho.
Colheremos os frutos do nosso desempenho.

domingo, 2 de novembro de 2008

loucamente sóbrio





Crises de criatividade:
Impulsos que vão e voltam,
Vontades de expressividade
Que controlo sobre mim tomam.

Quereres tornados necessidade
Perante repugnantes ondas.
Um construir-me com originalidade
Fugindo a modas hediondas.

Gosto e acho tão belo
Desfrutar daquilo que é diferente,
De um alternativo bem presente
E incrivelmente singelo.

Detesto a ideia de 'igual'
E a desculpa da 'tradição'.
Sou contra o convencional,
A costumes digo um forte: NÃO!

Pensem por vocês próprios
Não se deixem levar.
Sejam loucamente sóbrios,
Permitam à imaginação voar.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Vontades

Tenho vontade do que não devo,
Não quero o que a obrigação me requer.
Respondo ao que minha vontade quer
Portanto escrevo.

Não cumpro o dever.
aquilo que faço é fugir.
É-me difícil corresponder
Ao plano que devo seguir.

Não sei o que quero,
Só o que a vontade deseja.
Algo em mim lateja...

Vontade daquilo que não tenho,
Um querer que desdenho.
Fora de mim prospero.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A água corre

este texto foi escrito por um grande amigo meu, Zé Miguel, e trata o suicídio. Gostei tanto que não pude deixar de o postar aqui.

-Sócio! como prometido...


A água corre, como se quisesse compensar a falta dela nos teus olhos. Se ao menos tivesses consciência do acto que estás prestes a cometer. És alertado pelo som, agora menos agudo, sim, há quem meça o nível da água pelos “graves” que provoca no ouvido do homem. Já é hora. Desligas a torneira, não te interessa a temperatura e entras, estás de partida.

O teu corpo desloca o seu volume em água que jorra agora pelos azulejos, não tropeces ou o teu plano não irá por água abaixo. Deitas-te e sem necessidade de gritar Eureka submerges.

O corpo ainda luta contra a tua vontade com toda a flutuabilidade de que é dotado e que ainda lhe resta, mas numa última expiração profunda, agora de pulmões vazios sucumbes enquanto o teu eu é trazido à superfície em pequenas bolhas que ao se libertarem da pressão da água gritam “ Um dia fui Livre”.

sábado, 11 de outubro de 2008

Rascunhos

um dia destes, na tentativa de fazer uma letra para uma musica, isto foi o que me saiu(a ser melhorado).


Triunfo


Confia em ti mesmo, de muito és bem capaz,
nunca desanimes, nos seus braços Deus te traz.
És dono de ti mesmo, faz as tuas opções
mas segue Suas orientações e homem novo serás.

Desde início Ele te abriu o jogo mas és tu quem tem o trunfo.
Põe-te sem hesitações a caminho do triunfo.

Apoia-te em quem te acompanha,
ninguém faz nada sozinho
e neste mundo torna-te cimeiro,
torna-te amigo e companheiro.

Servir é o teu lema e construir o desafio
Um compromisso de vida, aquele que São Paulo seguiu.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Atribulado início

Esgotado ser este cheio de ânsia,
Que em fadiga se via embrunhado,
Que de tudo se queria ver à distância
em paz e descansado.

-Tarefa árdua no entanto!

Cansaço era o prato do dia.
Concertesa aquele que menos apetecia.
De cabeça baixa prosseguia
Procurando aquilo que mais queria.

-Pela oportunidade desejava tanto!

Encontrar-se cinco minutos com ela.
Estar tão perto e tão longe simultaneamente
era um golpe à sua mente.
Complicada vontade tão singela.

-Estava atento a cada recanto!

Mas afinal era quem menos sofria.
Nesses segundos que consigo cruzar-se conseguia
era a sua cara a mais triste que ele via.
Infelizes traços de um rosto que não entendia.

-Perigoso e desconfortante encanto!

Ainda mais a desejava agora encontrar.
E por fim conseguiu-se aproximar.
Mas pouco entendeu do que queria desabafar
e abalou sem muito conseguir ajudar.

-Mas era o que eu mais queria! nem sabes o quanto!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Regresso

Olá olá aos nossos leitores (se é que ainda os há)

Infelizmente o verão está a chegar ao fim, e com ele as férias. Este período de ausência foi, para muita pena minha, motivo de impedimento para continuar a colocar novas estrofes e rimas neste espaço. Mas nem tudo é mau. Este tempo de afastamento da realidade rotineira permitiu-me viver novas sensações e experiências e fica aqui a promessa do aparecimento, num futuro próximo, dessas impressões no Vadiar a Vida.

Deixando-vos algo dos meus primórdios, só para acabar com a seca,

King Nothing



Intrometimento

O relacionamento...
É algo para que não tenho jeito!
Qualquer que seja o sentimento
Não ajo direito.
Seja a meu respeito ou não
Pareço um parvalhão
Pois quaisquer que sejam as maneiras
Só faço e digo asneiras.

Fico preso na emoção
Por mais que bata o coração.
Não solto o que cá dentro arde
pois no fundo sou um cobarde.
Sou um sujeito reprimido
Por ser tímido sou conhecido.

Alego não perceber o que sinto.
Mas será bem assim?
Pareço perdido num labirinto
Confuso e sem fim.

A relação é um campo de batalha
Onde se luta de coração quente
E muita gente se espalha.
Onde só vence quem não mente,
Quem não omite,
Quem não hesite.

Há quem nao olhe mesmo a meios.
Mas eu cá escondo-me nos problemas alheios.
Para os outros estou sempre a olhar.
Dou a desculpa de querer ajudar.
Mas o que sei eu do assunto?
No tema sou nascido, e defunto!

O que é que eu sei?!
Quando eu próprio não sei o que faço,
Quero dizer que os outros ajudei?!
Sou um falhado... um tanso... um palhaço.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Paixão


O que é a paixão?
Perguntam-me a mim
Pois não é senão
Um sentimento assim:

Por alguém estar atraído,
Sem razão nem sentido.
Tudo e todos suportar
Cegamente sem despertar.

Estar atento a todos os sinais
Sobrevalorizar e pensar demais.
Perder noção das fronteiras,
Tomar acções derradeiras.

Sobre cada palavra raciocinar,
Com o intuito de espantar...
À procura de admiração
E positiva reacção.

É um estado de cisma!
Mas mudemos de prisma:

O que é estar apaixonado?
Para alguns, andar triste e amargado
Atraz de alguém desesperado.
É ser esquecido e ignorado
E a uma teia ficar colado
Preso e desamparado,
Faminto e ressaviado.

Para outros, sentir-se um privilegiado
Um ser feliz e deslumbrado
De coração acelerado
Por alguém enfeitiçado.

Para mim, é ter alguém a quem digo:
"Quero estar contigo,
Ter o sabor de aproveitar
O calor do teu olhar,
Ter o prazer de sentir
Os teus lábios fluir
E provocar no teu sorriso
Um amor forte e conciso."

Mas facilmente se diz que ama
Ou se leva alguém para cama
Muito mais difícil é vivê-lo
Senti-lo e mante-lo.

Pois amar é estar disposto a tudo
Susceptível a sofrer sobretudo.
É não desistir à primeira,
nem segunda, nem terceira, ...

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Chumbinho(13)...

...aquando do seu desaparecimento.

Na véspera de grande evento não é de mais recordar (em especial para o pessoal do 1100):

Há momentos que são eternos.
Marcas que são deixadas
Por pequenas coisas subestimadas.
Coisas que afinal nos são queridas
E dificilmente serão esquecidas.
Que do nada evaporaram,
E sem deixar pista sumiram.

Marcas de experiências vividas,
De alguns dos melhores momentos de nossas vidas,
Mas que agora são passado.
Um passado bem apreciado.

Somos magoados também por outro facto:
Por essas coisas serem parte de algo maior,
Algo que tantos ajudou a crescer
E aventuras fantásticas deu a viver,
E por algum impensado acto
Morrem e vão desta para melhor.

Mas ainda mais dói,
Custa e cá dentro rói,
Saber que os culpados,
Ingénuos alienados,
Actuam sem disso ter noção,
Escapa-lhes à razão,
Ou porque cegamente seguem em frente
Sendo-lhes simplesmente indiferente.

Há momentos que são eternos.
Quando uma simples coisa nos é roubada,
Uma parte de nós retirada.
Quando uma vontade maior nos prende
E diz que por mais que nos esforcemos,
Não importa o que choremos,
De nos roubar não se arrepende
Pois chegou a hora,
Mais que nunca é agora
Que essa coisa algo nos esta a dar.
A seguinte lição nos está a ensinar:

A dor da perda é imensa
E não vale o esforço exagerado
Que não traz recompensa
Alem de um coração mais magoado.

O importante é recordar
Aquilo que de bom ficou
Para que o possamos contar
A quem nunca experimentou,
Dando-lhe uma razão de ser,
E por isso, agradecer.

Mas há também que avaliar.
Muitos erros são cometidos.
É necessário medidas tomar
E comportamentos mudar
Para que os imprevistos acontecidos
Não nos voltem a incomodar.

A atitude correcta a ter
É a de que a vida é feita de perdas
E é necessário com elas aprender
Para que na mesma situação não mais cedas.
Pois não há nada tão triste
Como algo que chega e parte,
Naquele que parece um mundo aparte,
Onde ninguém sequer vê que existe.

Há momentos que são difíceis,
Acontecimentos imprevisíveis
Por motivos a nós externos.
São momentos que são eternos.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Mundo aparte

Casos notáveis, equações, trocas de sinais,
N variáveis, primitivas e integrais,
Funções implícitas e inversas, cálculos diferenciais,
Mudanças de coordenadas, momentos de inércia e rotacionais,
Oscilações pendulares, forças tensoriais,
Momentos angulares, equilíbrios, interacções tangenciais,
Produtos internos e externos de linhas vectoriais,
Atritos, acelerações, velocidades iniciais,
Energias eléctricas, cinéticas e potenciais,
Gravitação, estrelas e estudos espaciais,
Tensões e extensões, estudo minucioso dos materiais,
Átomos, electrões e respectivas orbitais,
Teorias einsteinianas, números complexos ou reais,
Relatividade, fluídos e tantos tais,
Cada vez mais....


Não passa tudo de suposições,
Abstractas aproximações,
Incompreendidos conceitos
Numa ciência repleta de defeitos.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Insistente



Insistente presença que me atormenta,
Obscura, desfocada, cinzenta.
Consigo travo luta sangrenta
Mas forte e resistente ela se apresenta.

Desconhecida é essa entidade que me possui
E estranha é a vontade quem em mim flui,
Vontade de a receber e abraçar
Para maior prazer ter em a dominar.

É sombria e é cruel,
É motivo de repulsão,
Mas aqui a meto em papel
Bem presente em minha reflexão.

É deste modo que a desvendo
E a minha estratégia vou tecendo.
Sua natureza entender,
Sua fraqueza conhecer.

Anseio perceber como a destruir,
Como fazê-la definitivamente partir.
Mas não sem antes uma resposta lhe exigir,
"Tu, és tu quem não me deixa dormir?"

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Insónia



Olho para o tecto,
Estalando os dedos dos pés,
E nele te vejo como que erecto,
Como desperto sonho que ainda és.

Puxo o lençol mas está calor.
Já chegou o verão.
Quem és tu Deusa do amor?
Quem és tu que hoje me darás a mão.
Espero por ti ansioso.

Estúpido camião do lixo!
Cala-te barulho tenebroso!
Deixa-me em paz neste meu nicho,
Deixa este ser que procura hoje alguém,
Que deseja encontrar hoje seu harém.

Merda!...não consigo dormir...
Onde estas tu sono meu?
Apressa-te, tenho para onde ir!
Hoje espera-me o apogeu.
Ou pelo menos é o meu desejo.
Vontade não é requisito suficiente?
Aguarda-me diva que não vejo,
Descobrirei quem és brevemente.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Sonhar

Farto da complexidade
Já só quero dormir.
No sono reina a simplicidade
De poder dos problemas fugir.

As condições são fáceis de reunir:
É só deitar e descansar,
E enquanto se deixa de existir,
Relaxar e sonhar...

A vida é difícil de viver,
Mas nos sonhos é-nos fácil refugiar.
E se deles nos precisarmos demover
Basta acordar!

Não os conseguimos controlar,
Tomam-nos como prisioneiros,
Mas muito acabam por revelar,
Tornando-nos pioneiros.

Muitas vezes ficam incompletos.
Despertamos nos momentos cruciais.
De sentido estavam repletos
Esses sonhos divinais.

Muito deles podemos tirar.
O importante é com eles aprender.
Mas para a realidade superar,
Neles não nos podemos prender.

O que é preciso é agir.
As chatices temos que gerir.
E se chegar longe queremos conseguir
Há que bulir, e construir!

terça-feira, 1 de julho de 2008

Rendição



Não sabe bem quando desaparece?
Não é tão bom quando conseguimos?
Quando finalmente nos abstraímos
E nos rimos ao responder da nossa prece?

De que vale andar deprimido?
Ninguém é absolutamente feliz.
E se alguém pensa que o é e o diz
Grande mentira terá proferido.

Todos temos misérias.
Mas de que vale chorar por elas?

Encurralamo-nos nessa gaiola como uma ave.
Empenho e esperança são a sua chave.
Tristeza e desespero são apenas o chumbo
Que sob pressão nos leva ao sucumbo.

À rendição dêmos férias!
voemos por ruas e ruelas,
Por cidades, por florestas e montanhas.
Fintemos esta vida com todas as nossas manhas.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

King Nothing

Impávido olhar observador,
Que tudo vê mas nada atinge,
Esconde muda a minha dor,
Minha cruz que boca tinge.

Divagando navega cego pelo longo pensamento
Avistando senão horizonte nesse mar de sentimento,
Mundo vazio desprovido de verdade,
Dimensão atroz de fuga à realidade.

E preso me sinto nesta terra de nada,
Terra dos feitos e da paz desejada.
Imóvel permaneço reprimido,
Por vontade de mais, possuído.

Mas consciente observo:
No Nada existo
Aos olhos alheios,
Reino e persisto
Sem olhar a meios.
De mim sou Rei, e servo!

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Shiva




Andava perdido no Mundo,
Procurando uma orientação.
E quando quase bati no fundo
Algo me salvou da escuridão.


Purificou-me interiormente
E tudo em mim foi reconstruido.
Ao pescoço carregava uma serpente,
Shiva tinha então surgido.


Ele tudo consegue ver,
Até no ambiente mais obscuro.
Vantagem de três olhos ter,
Passado, Presente e Futuro.


Ensinou-me a tudo ultrapassar,
As carências de um passado triste.
Quando eu já não acreditava no verbo “amar”,
Mostrou-me que o Amor existe
E está em tudo o que me rodeia,
Não apenas numa mulher.
Mas ela canta como uma sereia,
Resistirei enquanto puder.


Tornei-me teu seguidor,
Sou vítima do teu encanto.
Chamam-te Shiva, o Destruidor.
Para mim és Shiva, o Espírito Santo.

Zero










Nada e vazio
Simétrico e sombrio.
Numero conhecido,
Perfeito e imutável,
De mística munido
Mostra-se intocável.


Neutro e absorvente,
Algumas das suas faces,
Vácuo e inexistente,
Alguns do seus disfarces.
Mas não sei do que falo,
Referencio sinónimos
A.K.A. Zero fá-lo,
Dispensa aos demónios.

Ser o primeiro, é uma reputação que carrega
Como o peso de uma cruz, que ao final o leva.
Ora representa o inicio,
Ora representa o fim,
A vida em crescimento
Após o corte em um jardim.
“Recomeçar do Zero”,
É o desejo desejado,
Querer "criar o que quero",
Nisso afoga o afogado.

Tem que ser deste jeito,
Pelo verdadeiro conceito,
A destruição de mundos e a sua pós criação.
Caminho imperfeito
Dar em final perfeito,
Os nossos proteger do mal e assegurar que viverão.

domingo, 22 de junho de 2008

À procura




Tenho um vazio dentro de mim
que parece fechado em grandes portas.
Atrás delas existe um jardim
onde só há plantas mortas.

Grandes portas porque é inatingível,
é algo que não vejo nem entendo.
Escondem algo infalível
de vida carecendo!

Um jardim morto por ser algo dantes vivo
e que por estar bem não se manifestou,
algo que deixou de estar activo
e com o tempo murchou.

Muitos têm este sentimento
mas não o querem expressar
por ser algo sem fundamento,
algo que não conseguem explicar.

Alguns optam por seguir uma religião.
A sua procura leva-os a exaustão.
mas a resposta residirá num único ser?
solução simples! é o que me quer parecer.

Não me interpretem mal,
não tenho nada contra isso,
mas não me parece uma presença divinal
aquilo que está sumiço.

A meu ver, e como já me disseram,
a falta não é de algo mas de alguém
mas as más experiências superam
sobre a coragem de ir mais alem.

Assim, sofro de uma dualidade.
A minha disposição não tem continuidade.
Ora estou triste, ora estou feliz,
ora a vida me dá tudo, ora nada me diz.

E isso reflecte-se no meu ser,
oferece-me uma forma própria de viver.
Quem me conhece deve ter reparado,
um dia estou em baixo no outro estou animado.

Por isso anseio pelo amanha.
A parte do dia que prefiro é a manha
quando acordo e sonho ter um dia "sim"
e aproveita-lo como se não tivesse fim.

sábado, 14 de junho de 2008

Confronto Etéreo

Calmo, pacífico e despreocupado,
O era antes de me sentir atormentado.
Boa sensação e paz, tudo quebrado
Por um golpe invisível e inesperado.

Abro os olhos, nada mais que negrume,
Como uma alma deambulando nas trevas.
Reino de Lúcifer mas inexistente o lume,
“Não cedas ao misterioso, não, nem te atrevas!”.

Adapto-me à escuridão,
Olhares concentrados em mim,
Impulso guia a minha mão
Com intuito de lhes pôr fim.

Espada empunhada
Como Excalibur em um rei,
“Ao mal não darei nada!”,
Foi isso que empunhei.

De fantasmas rodeado
E preso nas suas teias.
Conhecido era o meu fado,
A glória de Eneias.

Desprovidos de significado,
Desprovidos de valor,
Não merecem, nem sentirão a minha dor.

Para aos seres etéreos dar o final derradeiro
Minha força interior ganhou forma de guerreiro.

E como fora esperado,
O triunfo fora alcançado,
O mal fora afastado
E o portal fora fechado.

Com o funesto de partida
E a paz concretizada,
Em vitória gloriosa, embainho a minha espada.

Mente harmonizada,
No espírito ventura vingava,
Sossego a minha alma e aconchego a almofada.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Incómodo

Sinto-me deambulante
num caminho inexistente.
Farta disposição oscilante
advém deste agir demente.

Apaziguada meta atingida
desta luta ofegante
vadiava pelos critérios da vida
meu espírito errante.

Agora, indefinido humor
só me prejudica e confunde.
Pensativo estou à ocasião.

E novo mas aliviado tremor
perante ti se difunde
receando reprovação.

terça-feira, 10 de junho de 2008

The Beautiful Imperfect Life


Vida… sistema complexo de interacções compostas,
É nosso direito vivê-la, não lhe viremos as costas.
No entanto é constituída por factos incompreensíveis,
Factos que aos meus olhos não são nada mais que invisíveis.
Não reflectir no mau é o conceito que tento seguir,
O tempo segue pois Chronos não pausa para dormir.
Viver e existir com um sorriso no rosto
Estende-lo aos escolhidos, fá-lo-ei com muito gosto.

Precisamos dos pilares p’ra sustentar a nossa existência,
Pergunto-me se resistirão à força da decadência.
Temos que os bem escolher, temos que os fortalecer,
Se assim não for é certo que eles irão ceder.
Podemos sempre contar com o sustento mais forte,
O que não nos trairá nem que a missão aborte.

Mas por trás do positivismo vive a natural fraqueza
Que receia que o suporte ceda à força da natureza.
Confio no destino e na felicidade que trará
E que com a crença, o meu ser se aguentará.
Não me encontrarei só, nem rodeado de escombros,
A maldição de Atlas de carregar os céus aos seus ombros.

Diabólica





A janela está toda aberta
Mas continua abafado,
Hoje a insónia é certa,
Alucina o alucinado.
Por aqui voam mosquitos,
O ambiente está pesado
Cá dentro ouço gritos
O demónio foi acordado.

Ele chegou furioso
E de tudo ele é capaz,
É um hibrido horroroso,
É Lucifér e é Satanás.

Ele fala-me cá dentro
Diz-me coisas arrepiantes,
Em mim desperta o violento
Algo que nunca senti antes.
Diz que Deus me vai abandonando
A revolta em mim está lançada,
Vou para o inferno caminhando
Sou mais uma alma penáda.

Agora estou aqui sozinho,
Moribundo e amargurado.
Só me resta um caminho,
Faço o pacto com o diabo.

E todos os dias fico preso
Nesta lama psicótica,
Onde sofro indefeso,
Madrugada diabólica.

Seize the day

Faz parte do quotidiano
um negativismo que impulsiona,
num agir mundano,
o individual centralismo que nos pressiona,
actuando como agente dominante.
Um retardante da nossa avante.

consideravel responsavel,
influenciante de alto nivel,
essa odiavel menina
a quem chamam rotina.

Impiedosa inimiga
arruinante do mais precioso momento.
Afortunado aquele que consiga
de si ficar isento,
resplandecendo a cada instante,
a nada e tudo unido,
de livre arbitrio munido,
rumando não mais que adiante.

sábado, 7 de junho de 2008

Valeu a pena?

É confuso aquilo que sinto
Só me baseio naquilo que vejo
Ilusões de um quadro que eu pinto,
À espera que se realize um desejo

Mas já estou farto de pintar
E não ver um resultado,
Já não tenho fôlego para continuar
Tou a ficar farto e cansado
De muita troca de olhar
E outras coisas engraçadas,
Encontros a dois para estudar
E cenas de mãos dadas…

Foram muitas noites e dias
A pensar em tudo isto,
Prevendo aquilo que me dirias…
Será que arrisco ou não arrisco?

Arrisquei e decidi avançar
Mas sinto-me no mesmo dilema,
E agora ponho-me a pensar…
..Será que valeu mesmo a pena?...

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Medo

Porque é o homem, que tanto erra,
e muito deixa aquém,
aquele que reina a terra
sendo o ser que mais medo tem?
porque tanto o assusta
simples palavras como são
"gosto", "de" e "ti" que dizer nada custa
mas não conseguem sair desta prisão?

Porque formou ele uma sociedade,
onde de tudo e todos se receia,
ao instante sem puder perder a sobriedade,
e que no pessoal crescimento semeia
mentes, éticas e morais moldadas
gerando estereótipos e atitudes extenuantemente estudadas?
E vem ele falar em liberdade?
O controlo é a sua prioridade!

Vem depois quando mais lhe convém
falar em honra e pátria a alguém
quando o que pretende é simplesmente
impingir a coragem que gananciosamente,
por vontade de poder, lhe roubou
através desta comunidade que criou!

Não passamos de encurraladas marionetas
desta antiga civilização
incapazes de alcançar as suas maiores metas,
incapazes de revelar o seu coração.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

BIG BANG

Como que repentina explosão
inesperado fenómeno surge.
Intransigente é a explicação
do que p'ra cá fora urge
como semente que germinou,
como animal que pariu,
como ovo que chocou
mas ninguém o viu.

Aqui estou eu decidido
pronto a dar o meu melhor,
a revelar este recém-nascido
com todo o meu suor.