este texto foi escrito por um grande amigo meu, Zé Miguel, e trata o suicídio. Gostei tanto que não pude deixar de o postar aqui.
-Sócio! como prometido...
A água corre, como se quisesse compensar a falta dela nos teus olhos. Se ao menos tivesses consciência do acto que estás prestes a cometer. És alertado pelo som, agora menos agudo, sim, há quem meça o nível da água pelos “graves” que provoca no ouvido do homem. Já é hora. Desligas a torneira, não te interessa a temperatura e entras, estás de partida.
O teu corpo desloca o seu volume em água que jorra agora pelos azulejos, não tropeces ou o teu plano não irá por água abaixo. Deitas-te e sem necessidade de gritar Eureka submerges.
O corpo ainda luta contra a tua vontade com toda a flutuabilidade de que é dotado e que ainda lhe resta, mas numa última expiração profunda, agora de pulmões vazios sucumbes enquanto o teu eu é trazido à superfície em pequenas bolhas que ao se libertarem da pressão da água gritam “ Um dia fui Livre”.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
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