quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Paixão


O que é a paixão?
Perguntam-me a mim
Pois não é senão
Um sentimento assim:

Por alguém estar atraído,
Sem razão nem sentido.
Tudo e todos suportar
Cegamente sem despertar.

Estar atento a todos os sinais
Sobrevalorizar e pensar demais.
Perder noção das fronteiras,
Tomar acções derradeiras.

Sobre cada palavra raciocinar,
Com o intuito de espantar...
À procura de admiração
E positiva reacção.

É um estado de cisma!
Mas mudemos de prisma:

O que é estar apaixonado?
Para alguns, andar triste e amargado
Atraz de alguém desesperado.
É ser esquecido e ignorado
E a uma teia ficar colado
Preso e desamparado,
Faminto e ressaviado.

Para outros, sentir-se um privilegiado
Um ser feliz e deslumbrado
De coração acelerado
Por alguém enfeitiçado.

Para mim, é ter alguém a quem digo:
"Quero estar contigo,
Ter o sabor de aproveitar
O calor do teu olhar,
Ter o prazer de sentir
Os teus lábios fluir
E provocar no teu sorriso
Um amor forte e conciso."

Mas facilmente se diz que ama
Ou se leva alguém para cama
Muito mais difícil é vivê-lo
Senti-lo e mante-lo.

Pois amar é estar disposto a tudo
Susceptível a sofrer sobretudo.
É não desistir à primeira,
nem segunda, nem terceira, ...

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Chumbinho(13)...

...aquando do seu desaparecimento.

Na véspera de grande evento não é de mais recordar (em especial para o pessoal do 1100):

Há momentos que são eternos.
Marcas que são deixadas
Por pequenas coisas subestimadas.
Coisas que afinal nos são queridas
E dificilmente serão esquecidas.
Que do nada evaporaram,
E sem deixar pista sumiram.

Marcas de experiências vividas,
De alguns dos melhores momentos de nossas vidas,
Mas que agora são passado.
Um passado bem apreciado.

Somos magoados também por outro facto:
Por essas coisas serem parte de algo maior,
Algo que tantos ajudou a crescer
E aventuras fantásticas deu a viver,
E por algum impensado acto
Morrem e vão desta para melhor.

Mas ainda mais dói,
Custa e cá dentro rói,
Saber que os culpados,
Ingénuos alienados,
Actuam sem disso ter noção,
Escapa-lhes à razão,
Ou porque cegamente seguem em frente
Sendo-lhes simplesmente indiferente.

Há momentos que são eternos.
Quando uma simples coisa nos é roubada,
Uma parte de nós retirada.
Quando uma vontade maior nos prende
E diz que por mais que nos esforcemos,
Não importa o que choremos,
De nos roubar não se arrepende
Pois chegou a hora,
Mais que nunca é agora
Que essa coisa algo nos esta a dar.
A seguinte lição nos está a ensinar:

A dor da perda é imensa
E não vale o esforço exagerado
Que não traz recompensa
Alem de um coração mais magoado.

O importante é recordar
Aquilo que de bom ficou
Para que o possamos contar
A quem nunca experimentou,
Dando-lhe uma razão de ser,
E por isso, agradecer.

Mas há também que avaliar.
Muitos erros são cometidos.
É necessário medidas tomar
E comportamentos mudar
Para que os imprevistos acontecidos
Não nos voltem a incomodar.

A atitude correcta a ter
É a de que a vida é feita de perdas
E é necessário com elas aprender
Para que na mesma situação não mais cedas.
Pois não há nada tão triste
Como algo que chega e parte,
Naquele que parece um mundo aparte,
Onde ninguém sequer vê que existe.

Há momentos que são difíceis,
Acontecimentos imprevisíveis
Por motivos a nós externos.
São momentos que são eternos.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Mundo aparte

Casos notáveis, equações, trocas de sinais,
N variáveis, primitivas e integrais,
Funções implícitas e inversas, cálculos diferenciais,
Mudanças de coordenadas, momentos de inércia e rotacionais,
Oscilações pendulares, forças tensoriais,
Momentos angulares, equilíbrios, interacções tangenciais,
Produtos internos e externos de linhas vectoriais,
Atritos, acelerações, velocidades iniciais,
Energias eléctricas, cinéticas e potenciais,
Gravitação, estrelas e estudos espaciais,
Tensões e extensões, estudo minucioso dos materiais,
Átomos, electrões e respectivas orbitais,
Teorias einsteinianas, números complexos ou reais,
Relatividade, fluídos e tantos tais,
Cada vez mais....


Não passa tudo de suposições,
Abstractas aproximações,
Incompreendidos conceitos
Numa ciência repleta de defeitos.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Insistente



Insistente presença que me atormenta,
Obscura, desfocada, cinzenta.
Consigo travo luta sangrenta
Mas forte e resistente ela se apresenta.

Desconhecida é essa entidade que me possui
E estranha é a vontade quem em mim flui,
Vontade de a receber e abraçar
Para maior prazer ter em a dominar.

É sombria e é cruel,
É motivo de repulsão,
Mas aqui a meto em papel
Bem presente em minha reflexão.

É deste modo que a desvendo
E a minha estratégia vou tecendo.
Sua natureza entender,
Sua fraqueza conhecer.

Anseio perceber como a destruir,
Como fazê-la definitivamente partir.
Mas não sem antes uma resposta lhe exigir,
"Tu, és tu quem não me deixa dormir?"