segunda-feira, 14 de julho de 2008

Insistente



Insistente presença que me atormenta,
Obscura, desfocada, cinzenta.
Consigo travo luta sangrenta
Mas forte e resistente ela se apresenta.

Desconhecida é essa entidade que me possui
E estranha é a vontade quem em mim flui,
Vontade de a receber e abraçar
Para maior prazer ter em a dominar.

É sombria e é cruel,
É motivo de repulsão,
Mas aqui a meto em papel
Bem presente em minha reflexão.

É deste modo que a desvendo
E a minha estratégia vou tecendo.
Sua natureza entender,
Sua fraqueza conhecer.

Anseio perceber como a destruir,
Como fazê-la definitivamente partir.
Mas não sem antes uma resposta lhe exigir,
"Tu, és tu quem não me deixa dormir?"

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Insónia



Olho para o tecto,
Estalando os dedos dos pés,
E nele te vejo como que erecto,
Como desperto sonho que ainda és.

Puxo o lençol mas está calor.
Já chegou o verão.
Quem és tu Deusa do amor?
Quem és tu que hoje me darás a mão.
Espero por ti ansioso.

Estúpido camião do lixo!
Cala-te barulho tenebroso!
Deixa-me em paz neste meu nicho,
Deixa este ser que procura hoje alguém,
Que deseja encontrar hoje seu harém.

Merda!...não consigo dormir...
Onde estas tu sono meu?
Apressa-te, tenho para onde ir!
Hoje espera-me o apogeu.
Ou pelo menos é o meu desejo.
Vontade não é requisito suficiente?
Aguarda-me diva que não vejo,
Descobrirei quem és brevemente.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Sonhar

Farto da complexidade
Já só quero dormir.
No sono reina a simplicidade
De poder dos problemas fugir.

As condições são fáceis de reunir:
É só deitar e descansar,
E enquanto se deixa de existir,
Relaxar e sonhar...

A vida é difícil de viver,
Mas nos sonhos é-nos fácil refugiar.
E se deles nos precisarmos demover
Basta acordar!

Não os conseguimos controlar,
Tomam-nos como prisioneiros,
Mas muito acabam por revelar,
Tornando-nos pioneiros.

Muitas vezes ficam incompletos.
Despertamos nos momentos cruciais.
De sentido estavam repletos
Esses sonhos divinais.

Muito deles podemos tirar.
O importante é com eles aprender.
Mas para a realidade superar,
Neles não nos podemos prender.

O que é preciso é agir.
As chatices temos que gerir.
E se chegar longe queremos conseguir
Há que bulir, e construir!

terça-feira, 1 de julho de 2008

Rendição



Não sabe bem quando desaparece?
Não é tão bom quando conseguimos?
Quando finalmente nos abstraímos
E nos rimos ao responder da nossa prece?

De que vale andar deprimido?
Ninguém é absolutamente feliz.
E se alguém pensa que o é e o diz
Grande mentira terá proferido.

Todos temos misérias.
Mas de que vale chorar por elas?

Encurralamo-nos nessa gaiola como uma ave.
Empenho e esperança são a sua chave.
Tristeza e desespero são apenas o chumbo
Que sob pressão nos leva ao sucumbo.

À rendição dêmos férias!
voemos por ruas e ruelas,
Por cidades, por florestas e montanhas.
Fintemos esta vida com todas as nossas manhas.