domingo, 22 de junho de 2008

À procura




Tenho um vazio dentro de mim
que parece fechado em grandes portas.
Atrás delas existe um jardim
onde só há plantas mortas.

Grandes portas porque é inatingível,
é algo que não vejo nem entendo.
Escondem algo infalível
de vida carecendo!

Um jardim morto por ser algo dantes vivo
e que por estar bem não se manifestou,
algo que deixou de estar activo
e com o tempo murchou.

Muitos têm este sentimento
mas não o querem expressar
por ser algo sem fundamento,
algo que não conseguem explicar.

Alguns optam por seguir uma religião.
A sua procura leva-os a exaustão.
mas a resposta residirá num único ser?
solução simples! é o que me quer parecer.

Não me interpretem mal,
não tenho nada contra isso,
mas não me parece uma presença divinal
aquilo que está sumiço.

A meu ver, e como já me disseram,
a falta não é de algo mas de alguém
mas as más experiências superam
sobre a coragem de ir mais alem.

Assim, sofro de uma dualidade.
A minha disposição não tem continuidade.
Ora estou triste, ora estou feliz,
ora a vida me dá tudo, ora nada me diz.

E isso reflecte-se no meu ser,
oferece-me uma forma própria de viver.
Quem me conhece deve ter reparado,
um dia estou em baixo no outro estou animado.

Por isso anseio pelo amanha.
A parte do dia que prefiro é a manha
quando acordo e sonho ter um dia "sim"
e aproveita-lo como se não tivesse fim.

sábado, 14 de junho de 2008

Confronto Etéreo

Calmo, pacífico e despreocupado,
O era antes de me sentir atormentado.
Boa sensação e paz, tudo quebrado
Por um golpe invisível e inesperado.

Abro os olhos, nada mais que negrume,
Como uma alma deambulando nas trevas.
Reino de Lúcifer mas inexistente o lume,
“Não cedas ao misterioso, não, nem te atrevas!”.

Adapto-me à escuridão,
Olhares concentrados em mim,
Impulso guia a minha mão
Com intuito de lhes pôr fim.

Espada empunhada
Como Excalibur em um rei,
“Ao mal não darei nada!”,
Foi isso que empunhei.

De fantasmas rodeado
E preso nas suas teias.
Conhecido era o meu fado,
A glória de Eneias.

Desprovidos de significado,
Desprovidos de valor,
Não merecem, nem sentirão a minha dor.

Para aos seres etéreos dar o final derradeiro
Minha força interior ganhou forma de guerreiro.

E como fora esperado,
O triunfo fora alcançado,
O mal fora afastado
E o portal fora fechado.

Com o funesto de partida
E a paz concretizada,
Em vitória gloriosa, embainho a minha espada.

Mente harmonizada,
No espírito ventura vingava,
Sossego a minha alma e aconchego a almofada.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Incómodo

Sinto-me deambulante
num caminho inexistente.
Farta disposição oscilante
advém deste agir demente.

Apaziguada meta atingida
desta luta ofegante
vadiava pelos critérios da vida
meu espírito errante.

Agora, indefinido humor
só me prejudica e confunde.
Pensativo estou à ocasião.

E novo mas aliviado tremor
perante ti se difunde
receando reprovação.

terça-feira, 10 de junho de 2008

The Beautiful Imperfect Life


Vida… sistema complexo de interacções compostas,
É nosso direito vivê-la, não lhe viremos as costas.
No entanto é constituída por factos incompreensíveis,
Factos que aos meus olhos não são nada mais que invisíveis.
Não reflectir no mau é o conceito que tento seguir,
O tempo segue pois Chronos não pausa para dormir.
Viver e existir com um sorriso no rosto
Estende-lo aos escolhidos, fá-lo-ei com muito gosto.

Precisamos dos pilares p’ra sustentar a nossa existência,
Pergunto-me se resistirão à força da decadência.
Temos que os bem escolher, temos que os fortalecer,
Se assim não for é certo que eles irão ceder.
Podemos sempre contar com o sustento mais forte,
O que não nos trairá nem que a missão aborte.

Mas por trás do positivismo vive a natural fraqueza
Que receia que o suporte ceda à força da natureza.
Confio no destino e na felicidade que trará
E que com a crença, o meu ser se aguentará.
Não me encontrarei só, nem rodeado de escombros,
A maldição de Atlas de carregar os céus aos seus ombros.