quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Vivendo

Se há algo que este mundo seja
É algo que recuso ser:
Alguém que à sua frente mais não veja
Que a necessidade de muito ter.


Procuram a felicidade no património,
Os senhores e donos da ganância.
São massas envoltas em ignorância
Desconhecendo o perigo desse demónio.



Focados numa monetária realidade
Procuram bastante mais que integridade,
Procuram luxo, posses e riqueza,
Analgésicos para a sua tristeza.


Por mim, contento-me com o que tenho
E dou de mim tudo aquilo que consigo.
Procurar partilhar do que detenho
É uma das condutas que sigo.


E desse modo algo também obtenho,
Acabo por dar e receber
E não rejeito nem desdenho.
É em conjunto que se sobrevive
E se está sempre a aprender,
E assim, como individuo, se vive.


É assim que o meu caminho prossigo,
Os meus objectivos persigo,
E Tento sempre aplicar todo o meu empenho.
Colheremos os frutos do nosso desempenho.

domingo, 2 de novembro de 2008

loucamente sóbrio





Crises de criatividade:
Impulsos que vão e voltam,
Vontades de expressividade
Que controlo sobre mim tomam.

Quereres tornados necessidade
Perante repugnantes ondas.
Um construir-me com originalidade
Fugindo a modas hediondas.

Gosto e acho tão belo
Desfrutar daquilo que é diferente,
De um alternativo bem presente
E incrivelmente singelo.

Detesto a ideia de 'igual'
E a desculpa da 'tradição'.
Sou contra o convencional,
A costumes digo um forte: NÃO!

Pensem por vocês próprios
Não se deixem levar.
Sejam loucamente sóbrios,
Permitam à imaginação voar.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Vontades

Tenho vontade do que não devo,
Não quero o que a obrigação me requer.
Respondo ao que minha vontade quer
Portanto escrevo.

Não cumpro o dever.
aquilo que faço é fugir.
É-me difícil corresponder
Ao plano que devo seguir.

Não sei o que quero,
Só o que a vontade deseja.
Algo em mim lateja...

Vontade daquilo que não tenho,
Um querer que desdenho.
Fora de mim prospero.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A água corre

este texto foi escrito por um grande amigo meu, Zé Miguel, e trata o suicídio. Gostei tanto que não pude deixar de o postar aqui.

-Sócio! como prometido...


A água corre, como se quisesse compensar a falta dela nos teus olhos. Se ao menos tivesses consciência do acto que estás prestes a cometer. És alertado pelo som, agora menos agudo, sim, há quem meça o nível da água pelos “graves” que provoca no ouvido do homem. Já é hora. Desligas a torneira, não te interessa a temperatura e entras, estás de partida.

O teu corpo desloca o seu volume em água que jorra agora pelos azulejos, não tropeces ou o teu plano não irá por água abaixo. Deitas-te e sem necessidade de gritar Eureka submerges.

O corpo ainda luta contra a tua vontade com toda a flutuabilidade de que é dotado e que ainda lhe resta, mas numa última expiração profunda, agora de pulmões vazios sucumbes enquanto o teu eu é trazido à superfície em pequenas bolhas que ao se libertarem da pressão da água gritam “ Um dia fui Livre”.