quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A água corre

este texto foi escrito por um grande amigo meu, Zé Miguel, e trata o suicídio. Gostei tanto que não pude deixar de o postar aqui.

-Sócio! como prometido...


A água corre, como se quisesse compensar a falta dela nos teus olhos. Se ao menos tivesses consciência do acto que estás prestes a cometer. És alertado pelo som, agora menos agudo, sim, há quem meça o nível da água pelos “graves” que provoca no ouvido do homem. Já é hora. Desligas a torneira, não te interessa a temperatura e entras, estás de partida.

O teu corpo desloca o seu volume em água que jorra agora pelos azulejos, não tropeces ou o teu plano não irá por água abaixo. Deitas-te e sem necessidade de gritar Eureka submerges.

O corpo ainda luta contra a tua vontade com toda a flutuabilidade de que é dotado e que ainda lhe resta, mas numa última expiração profunda, agora de pulmões vazios sucumbes enquanto o teu eu é trazido à superfície em pequenas bolhas que ao se libertarem da pressão da água gritam “ Um dia fui Livre”.

sábado, 11 de outubro de 2008

Rascunhos

um dia destes, na tentativa de fazer uma letra para uma musica, isto foi o que me saiu(a ser melhorado).


Triunfo


Confia em ti mesmo, de muito és bem capaz,
nunca desanimes, nos seus braços Deus te traz.
És dono de ti mesmo, faz as tuas opções
mas segue Suas orientações e homem novo serás.

Desde início Ele te abriu o jogo mas és tu quem tem o trunfo.
Põe-te sem hesitações a caminho do triunfo.

Apoia-te em quem te acompanha,
ninguém faz nada sozinho
e neste mundo torna-te cimeiro,
torna-te amigo e companheiro.

Servir é o teu lema e construir o desafio
Um compromisso de vida, aquele que São Paulo seguiu.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Atribulado início

Esgotado ser este cheio de ânsia,
Que em fadiga se via embrunhado,
Que de tudo se queria ver à distância
em paz e descansado.

-Tarefa árdua no entanto!

Cansaço era o prato do dia.
Concertesa aquele que menos apetecia.
De cabeça baixa prosseguia
Procurando aquilo que mais queria.

-Pela oportunidade desejava tanto!

Encontrar-se cinco minutos com ela.
Estar tão perto e tão longe simultaneamente
era um golpe à sua mente.
Complicada vontade tão singela.

-Estava atento a cada recanto!

Mas afinal era quem menos sofria.
Nesses segundos que consigo cruzar-se conseguia
era a sua cara a mais triste que ele via.
Infelizes traços de um rosto que não entendia.

-Perigoso e desconfortante encanto!

Ainda mais a desejava agora encontrar.
E por fim conseguiu-se aproximar.
Mas pouco entendeu do que queria desabafar
e abalou sem muito conseguir ajudar.

-Mas era o que eu mais queria! nem sabes o quanto!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Regresso

Olá olá aos nossos leitores (se é que ainda os há)

Infelizmente o verão está a chegar ao fim, e com ele as férias. Este período de ausência foi, para muita pena minha, motivo de impedimento para continuar a colocar novas estrofes e rimas neste espaço. Mas nem tudo é mau. Este tempo de afastamento da realidade rotineira permitiu-me viver novas sensações e experiências e fica aqui a promessa do aparecimento, num futuro próximo, dessas impressões no Vadiar a Vida.

Deixando-vos algo dos meus primórdios, só para acabar com a seca,

King Nothing



Intrometimento

O relacionamento...
É algo para que não tenho jeito!
Qualquer que seja o sentimento
Não ajo direito.
Seja a meu respeito ou não
Pareço um parvalhão
Pois quaisquer que sejam as maneiras
Só faço e digo asneiras.

Fico preso na emoção
Por mais que bata o coração.
Não solto o que cá dentro arde
pois no fundo sou um cobarde.
Sou um sujeito reprimido
Por ser tímido sou conhecido.

Alego não perceber o que sinto.
Mas será bem assim?
Pareço perdido num labirinto
Confuso e sem fim.

A relação é um campo de batalha
Onde se luta de coração quente
E muita gente se espalha.
Onde só vence quem não mente,
Quem não omite,
Quem não hesite.

Há quem nao olhe mesmo a meios.
Mas eu cá escondo-me nos problemas alheios.
Para os outros estou sempre a olhar.
Dou a desculpa de querer ajudar.
Mas o que sei eu do assunto?
No tema sou nascido, e defunto!

O que é que eu sei?!
Quando eu próprio não sei o que faço,
Quero dizer que os outros ajudei?!
Sou um falhado... um tanso... um palhaço.