Recebi hoje um e-mail em que pude ler algumas das ultimas palavras deixadas por Eduardo Prado Coelho sobre as quais eu já tinha pensado, e certamente a maioria de vós também e não pude deixar de colocar aqui algumas delas:
«A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres.
Agora dizemos que Sócrates não serve.
O que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.
Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.
O problema está em nós.
Nós como povo.
Nós como matéria-prima de um país.
...
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame
- Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar
- Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão
- Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes
- Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado
- Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas
Não. Não. Não. Já basta.
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Fico triste.
Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.
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E não poderá fazer nada...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
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Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer.
Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:
Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, tolerantes com o fracasso.
É a indústria da desculpa e da estupidez.»
Confesso que nem sequer sabia quem era Eduardo Prado Coelho mas fui pesquisar e agora não consigo deixar de admirar o seu currículo. Merece a nossa atenção. Para aqueles que também não conhecerem visitem http://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Prado_Coelho
É fácil apontar.
É fácil culpar.
Não custa levantar o dedo
a quem não tem medo,
coragem de realizar,
vontade de concretizar.
Preocupa-te com o que fazes,
A tua parte é para cumprir.
E quando nos vires a subir
Diremos:'somos capazes'.
Num país de corrupção
Dizemo-nos puros de coração.
Mas não precisamos de arrastar-nos no chão
para evoluirmos como Nação!
Basta que a nós mesmos tomemos atenção.