sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Quando muitas vezes de súbito,
Muito por força do hábito,
Hábito de esperar e receber,
Choramos por deixarmos de ter,
Deixarmos de sentir uma presença,
O ressentimento começa a aparecer
E a nossa cabeça a moer
Como nova e desagradável doença.

É comum pormos de lado
O prazer de deixarmos, ajudarmos, apoiarmos,
O simples prazer de nos darmos.
É comum esperarmos que o por nós dado
Seja retribuído e sobrevalorizado.

Não Devemos sentir-nos magoados
Por não recebermos como damos.
Pior é procurarmos os culpados
Quando nessa situação nos encontramos.
Eu culpo a solidão que aí ganhamos.

Mas podem sentimentos ser objecto de culpa?
Necessitamos atribui-la a alguém.
Ser um impulso é a desculpa.
Teremos culpa disso também?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Baú

O que é socializar
Senão confronto de opiniões?
O que é debater
Senão tomadas de posições?
O que é comunicar
Senão troca de experiências?
No fundo, o que é viver
senão ter um leque de preferências?


Senão for isso
O que será?
Algum desígnio a nós omisso?
Quem o escreverá?


A vida é tudo menos categórica,
É um baú de retórica.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Surpreso

Ainda inconstante
Continuo seguindo
Ainda oscilante
Mas à vida sorrindo.

Confuso vou a caminhar
Num rumo ao meu distinto,
Ainda sem ter um lugar
Onde confortável me sinto.

Mas a vocês agradeço.
Àqueles que gostam e valorizam
Um abraço de apreço.
São vocês que me motivam.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Vivendo

Se há algo que este mundo seja
É algo que recuso ser:
Alguém que à sua frente mais não veja
Que a necessidade de muito ter.


Procuram a felicidade no património,
Os senhores e donos da ganância.
São massas envoltas em ignorância
Desconhecendo o perigo desse demónio.



Focados numa monetária realidade
Procuram bastante mais que integridade,
Procuram luxo, posses e riqueza,
Analgésicos para a sua tristeza.


Por mim, contento-me com o que tenho
E dou de mim tudo aquilo que consigo.
Procurar partilhar do que detenho
É uma das condutas que sigo.


E desse modo algo também obtenho,
Acabo por dar e receber
E não rejeito nem desdenho.
É em conjunto que se sobrevive
E se está sempre a aprender,
E assim, como individuo, se vive.


É assim que o meu caminho prossigo,
Os meus objectivos persigo,
E Tento sempre aplicar todo o meu empenho.
Colheremos os frutos do nosso desempenho.