sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Sistema Solar

Nunca fui uma pessoa muito dada à leitura. Quase com a mesma frequência com que pego num livro, também o deixo a meio esquecido nalguma prateleira cá de casa. Ontem à noite estava a ter mais uma das minhas belas e desagradáveis insónias quando me lembrei de uma obra oferecida por um amigo aqui há uns 2 ou 3 anos. Desde logo considerei um livro formidável, com base apenas nos 3 capítulos que tinha lido, mas esta minha pouca aptidão para a leitura costuma revelar-se mais forte que o interesse pelo conteúdo propriamente dito. Resolvi tentar solucionar estes dois problemas confrontando-os. Porque não voltar a pegar no livro e divertir-me um pouco com este livro intitulado 'Breve história de quase tudo' em vez de pasmar os ténues raios de luz provenientes da noite lá fora, e ainda assim luminosos face à escuridão do meu quarto, que se aventuravam pelos buracos do meu estore? Assim o fiz.

Trata-se de uma obra cientifica escrita por Bill Bryson que consegue explorar grande parte da ciência começando pelo Big Bang e passando pelos dinossauros, aquecimento global, Einstein, teoria atómica, vulcões, ADN, entre outros temas. Não sendo um homem da ciência e tendo como motivação a sua grande curiosidade pelo mundo à sua volta, conseguiu elaborar esta obra muito bem documentada e com uma linguagem não demasiado científica, sempre clara e com as devidas anotações e repleta de curiosas e simples analogias que nos ajudam a compreender os temas tratados.

Mas isto tudo para dizer que, assim que vi o livro de novo nas minhas mãos, recordei-me do ultimo capítulo que tinha lido há uns meses atrás, e mais especificamente, de uma visão que o autor nos consegue passar à cerca do sistema solar e que de outra forma penso que nunca conseguiria ter. Senti instantânea vontade de a partilhar aqui no Vadiar a Vida. Mas mais fácil do que tentar explicar por palavras minhas é transcrever este parágrafo e meio, quanto a mim, bastante elucidativo.

'A maior parte dos mapas escolares mostra os planetas uns a seguir aos outros, como bons vizinhos - em muitas imagens, os gigantes exteriores chegam a projectar as respectivas sombras no próximo -, mas trata-se de um erro necessário, quando os queremos ilustrar todos na mesma página. Neptuno, por exemplo, não está ligeiramente afastado de Júpiter, está muito para além de Júpiter - cinco vezes mais longe de Júpiter do que Júpiter está de nós, tão longe que só recebe três por cento da luz solar em comparação com Júpiter.
Tão grandes são as distâncias que, na prática, se torna impossível representar o sistema solar à escala real. Mesmo que juntássemos muitas páginas desdobráveis aos livros escolares, ou usássemos uma longuíssima folha de papel para fazer os mapas, nunca chegaríamos nem perto. Num diagrama do sistema solar à escala, com a Terra reduzida ao tamanho de uma ervilha, Júpiter estaria a mais de 300 metros de distância, e Plutão estaria a 2,5 quilómetros(e teria o tamanho de uma bactéria, de forma que não o conseguiríamos ver). Na mesma escala, a Próxima de Centauro,a estrela mais próxima de nós, estaria a 16 mil quilómetros de distância. Mesmo que encolhêssemos tudo de forma a Júpiter ficar tão pequeno como o ponto final no fim desta frase, e Plutão não fosse maior do que uma molécula, Plutão estaria ainda a mais de dez metros de distância.'



Faz-nos parecer estupidamente insignificantes não acham? Enfim, não me voltaram a ver escrever tanto sobre este livro mas não se surpreendam se de vez em quando voltar a postar algum paragrafo desta obra que me deixa fascinado com os factos a cada uma das suas páginas, isto é se não voltar a coloca-lo na prateleira. Espero que não.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Só neste país

Sabem aquelas histórias bizarras que ouvimos de vez em quando? Toda a gente as tem, sobretudo sobre o meio onde se movimenta. Esta contou-me o meu instrutor numa aula de código, adivinhem sobre o quê! Não consegui deixar de o procurar e aqui o têm.



Acaba por ser apenas mais um exemplo daquilo que se vai passando no nosso país. Mas já estamos todos fartos de reclamar com o estado em que Portugal está, portanto, em vez de escrever umas rimas ou meter-me aqui a resmungar sobre isso, resolvi postar também o vídeo de Sérgio Godinho, esse grande senhor da música nacional (nem tudo é mau por cá), da música 'Só neste país'. Da música até gosto mas achei o vídeo tão parvo e ridículo que até acho adequado a este acontecimento estranho no Porto. A mim pelo menos deu para rir um bocado. Espero que a vocês também.

Bob Marley - "One Love Peace Concert"


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Primavera de 1978 - A Jamaica vive uma verdadeira guerra civil instituída pelos dois partidos rivais. A violência gera violência. Lutas brutais entre gangs aumentam nas cidades jamaicanas, bem como o número de assassinatos que ascende às centenas. O primeiro ministro, Michael Manley, e o líder da oposição, Edward Seaga, recusam encontrar-se para pôr termo aos conflitos.

Bob Marley organiza, nesse mesmo ano, em nome do povo jamaicano, um enorme concerto - "One Love Peace Concert" - realizado dia 22 de Abril em Kingston, Jamaica.

Ficará para a história o momento em que Bob Marley une, pela primeira vez, os ínimigos políticos Edward Seaga e Michael Manley. Eles dão as mãos em palco levando a multidão ao rubro, enquanto Bob grita "Jah Live!".

Apareceram pela ultima vez juntos em público, apertando as mãos, no dia 21 de Maio de 1981 , dia em que Bob Marley recebeu o funeral oficial do povo da Jamaica.

Robert Nesta Marley, mais conhecido como Bob Marley, morreu aos 36 anos, no dia 11 de Maio de 1981, mas a sua lenda permanece viva até hoje.

“Me only have one ambition, y'know. I only have one thing I really like to see happen. I like to see mankind live together - black, white, Chinese, everyone - that's all.” by Bob Marley

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Escuro

Aguardo entediado por desaparecer.
Desejo inquietante parar de me mover
Pois é negra a superfície que vejo,
Longa e agitada a noite que prevejo.

Tão rápido não abandonarei tais dissabores.
Nem o reconfortante calor dos cobertores,
Nem mesmo o aconchego da almofada,
Me permitem ser hoje alma embalada,
Repousar hoje minha mente cansada.

Vem-me à memória todo o tipo de recordações
Bem como ao pensamento fantasiosas invenções.
Momentos passados de relativa importância,
Momentos presentes de alguma relevância
E momentos futuros minuciosamente imaginados
Todos eles ao meu gosto arranjados,
De ponderados se's estranhamente recheados.

Pois que mais fazer ao som da chuva la fora?
Nem o tic tac do relógio me manda embora
Para longe deste antro de escuridão.
Que mais fazer a esta hora de solidão
Alem de ouvir o vento soprar com brutidão?

É imaginando que me abstraio,
De olhos fechados desenhando me distraio
Deste triste ambiente sem vida
De onde não consigo encontrar saída.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Quando muitas vezes de súbito,
Muito por força do hábito,
Hábito de esperar e receber,
Choramos por deixarmos de ter,
Deixarmos de sentir uma presença,
O ressentimento começa a aparecer
E a nossa cabeça a moer
Como nova e desagradável doença.

É comum pormos de lado
O prazer de deixarmos, ajudarmos, apoiarmos,
O simples prazer de nos darmos.
É comum esperarmos que o por nós dado
Seja retribuído e sobrevalorizado.

Não Devemos sentir-nos magoados
Por não recebermos como damos.
Pior é procurarmos os culpados
Quando nessa situação nos encontramos.
Eu culpo a solidão que aí ganhamos.

Mas podem sentimentos ser objecto de culpa?
Necessitamos atribui-la a alguém.
Ser um impulso é a desculpa.
Teremos culpa disso também?